PRAÇA JAMES FANSTONE N° 60 - CENTRO
ANÁPOLIS-GO - CEP: 75.020-390 E-MAIL: contato@heg.com.br
TELEFONES: (62) 3099-9000 / (62) 3099-9010

Acesse o Webmail

Notícias

Luto: Hospital Evangélico Goiano lamenta morte de Hamilton João Telles

Nesta quarta-feira, 15, faleceu, após um Acidente Vascular Cerebral, o paciente da Clínica de Hemodiálise do HEG Hamilton João Teles. Há 22 anos, Hamilton fazia o procedimento no Hospital Evangélico Goiano. Conheça abaixo a história deste homem que serviu de exemplo para muitos que conviveram ao seu lado.

Persistência: Em hemodiálise há 22 anos, paciente do HEG é exemplo de superação

“A importância do Hospital Evangélico é absolutamente total. É uma segurança, é um porto seguro para a unidade de hemodiálise”, destaca nefrologista responsável pelo caso.

Hamilton João Teles, 65, é hoje um dos pacientes em Goiás há mais tempo fazendo hemodiálise. Há 22 anos, ele passa pelo procedimento na Clínica de Hemodiálise do Hospital Evangélico Goiano, localizada na rua 1º de Maio, em Anápolis. Quando procurou os serviços médicos do HEG, entre os anos de 1992 e 1993, Hamilton foi atendido pelo médico Nefrologista Sergio Mota. Exames indicaram que ele era portador de Lesão do rim que caracteriza a Nefroesclerose Hipertensiva e ou Síndrome Metabólica, com um quadro de hipertensão e alterações no metabolismo de produção de gordura, proteínas e açúcar.

Seu estado de saúde não foi motivo para que ele deixasse de seguir em frente. Sempre sorridente e tranquilo, ele se mostra uma pessoa bem disposta, extrovertida, confiante e persistente. “Toda vida, eu nunca matei um dia de hemodiálise”, relata.  “Eu gosto muito da vida. Mesmo a pessoa doente, igual eu estou… eu gosto muito da vida. Então, eu tinha que vir fazer (hemodiálise). Eu achei que, enquanto eu estivesse respirando, eu teria que fazer”, continua.


IMG_0019

Ele conta que confia no trabalho do Hospital Evangélico Goiano desde o início da sua passagem pela instituição. “O Hospital fez tudo pela gente. O doutor Sérgio (Mota) saía da casa dele sete horas da manhã para me ligar (ao aparelho)”, relembra sobre a atuação de seu médico e amigo. Além do nefrologista, a enfermeira Neuza de Almeida Barcelos Pereira, já um membro da família de Hamilton, cuida do paciente, há 22 anos, em suas sessões de hemodiálise. Durante este período, a palavra ‘desistir’ parece ter saído do vocabulário de Hamilton João Teles.​

“Não, eu nunca pensei assim. Toda vida eu tive pensamento positivo. Toda vida. A minha mulher encabula. Não sou de reclamar. Eu acho que ninguém tem a ver com a situação minha. Eu não culpo a mulher, eu não culpo ninguém”, assume. Mostrando ter aceitado a sua condição física, declara: “Nunca reclamei. Eu acho que cada um tem uma carga para passar. E essa é a minha. Só que eu tive muito apoio da enfermeira, da minha mulher, principalmente dela. Dos meus filhos, muitas vezes até de vizinho”.

Há 43 anos, ele é casado com Dulcimar Lima Santos Teles, 63. “Eu tive muita ajuda dela, do doutor Sergio e do Hospital. O Hospital também nunca mediu esforços para nos ajudar”, enfatiza. Ao relatar sobre os anos de casados e os períodos por que passaram juntos, Dulcimar mostra como consegue forças para seguir ao lado do esposo: “Ele tem uma esposa muito de fé”. Seu Hamilton reconhece o papel da companheira em todos estes anos. “E, com isso, a mulher foi incentivando, ajudando”, descreve.

Esposa

Dulcimar Lima dos Santos Teles expressa ser tão forte e disposta quanto Hamilton. Mas as coisas não foram fáceis desde que a família descobriu que ele precisaria passar por hemodiálise: “a minha reação foi pior do que a dele. O Dr. Sérgio me chamou, e os meus filhos, me chamou na sala dele e falou: a partir de agora, se você quiser que o seu esposo viva, se quiser que o seu pai viva, cada um vai ter que segurar uma pontinha deste lençol. Porque é como se tivesse um lençol aqui dentro desse consultório. E eu saí de lá tão arrasada, que parece que eu estava era dentro de uma cisterna, do tanto que foi difícil”.

“Foi muito difícil. A princípio, minha vida era chorar. Não foi muito boa. Difícil demais. Eu achei que eu não daria conta. Porque nós passamos momentos assim… tem o medo de perder”, comenta sobre sua primeira reação. Ela, à época trabalhadora da área da educação, teve que conciliar trabalho e cuidado ao marido, já que Hamilton teve que se aposentar e largar sua profissão de caminhoneiro. Ela menciona o principal motivo que a levou a ter esperança na luta junto a ele: “Amor mesmo”.

Seu Hamilton, interrompendo a fala da sua esposa, diz que foi “amor de verdade” o motivador diário destes 22 anos. “Esse aqui é minha vida”, diz Dulcimar, fixando os olhos em Hamilton. “Eu sou uma pessoa muito de fé. Eu acho importante, quando nós pensamos que não damos conta, pedirmos a Deus para nos carregar nos braços. E ele tem me carregado”, reconhece. E cita ainda que “passaria, se fosse da permissão de Deus”, por todo esse processo novamente. Mas o que fica de bom após tanto anos de lutas?

IMG_0013

“Até então, é isso: ele estar vivo”, responde dona Dulcimar. “Até hoje ficou muita coisa de bom. Só de a gente estar junto e eu estar lutando pela vida dele, ajudando no que eu posso… Eu levanto, venho com ele, ele não vem sozinho. Eu trago, eu levo de volta. E a minha luta tem sido essa. E acho que não tem sido em vão”, expressa. Todos os dias, ela se levanta às 04 horas, bem de madrugada, e faz café para o marido. Por volta das 05 horas, ela o leva para as sessões de hemodiálise, que ocorrem todas as segundas, quartas e sextas-feiras pela manhã.

Ela reforça o que Hamilton disse sobre a atuação do médico nefrologista Sergio Mota: “Eu devo muita obrigação ao doutor Sergio. Ele me trata muito bem”. “Parece que todo mundo aqui faz parte da minha família”, diz sobre a equipe da Hemodiálise do Hospital Evangélico Goiano.

Família

Hamilton tem três filhos, duas mulheres e um homem. Desde que ele iniciou o procedimento de hemodiálise, a rotina do seu núcleo familiar foi alterada. “Mudou muito a estrutura. Mudou por completo. Não só a minha, mas a da família inteira”, descreve. “Até hoje, existe esse cuidado em casa, que é quando eu chego”, diz, pontuando que os filhos sempre se preocupam com o estado de saúde do pai. “Se precisar, é só ligar que vem todo mundo na hora”, afirma, em tom de euforia.

Exemplo de superação

A história de Hamilton João Teles serve de modelo para pacientes que precisam passar pelo processo de hemodiálise. “Eu não gosto de contar minha vida para os outros. Eu sou muito fechado, eu sou muito reservado. Eu acho que a pessoa, muitas vezes, não entende”, confessa. Mas pontua que auxilia diversas pessoas, mostrando que vale a pena continuar a tentar. “Ajudo. Eu só falo que a pessoa precisa ter muita paciência”, evidencia Hamilton. E paciência não falta nele, nem disposição para suportar com fé as sessões de hemodiálise. “Se eu for contar minha história toda, você vai ficar aqui o dia todo”, brinca.

Esperança

Uma das dificuldades enfrentadas por alguns pacientes que passam por processos como o de Seu Hamilton está em ter uma vida normal. Apesar de ter limitado sua ida a eventos sociais, como festas, dentro de casa ele é um marido exemplar. Ainda hoje, faz serviços como instalações elétricas e hidráulicas, sobe escadas para reparações na sua residência e acompanha a esposa nas idas ao supermercado. Juntos, Hamilton e Dulcimar vão a consultas médicas um do outro.

Quando questionado sobre se ele esperava chegar aos 22 anos de hemodiálise, ele é enfático: “Nunca. Nunca esperei. Nem aos cinco”. E ele está otimista sobre os seus próximos anos. “Eu não sei. Eu poderia viver até os oitenta, noventa”, deseja. E é suficiente? “Uai, está bom demais”, responde em tom de risada.

Enfermagem

“A Neuza se tornou um membro da família da gente”. É assim que Hamilton considera a enfermeira técnica da Clínica de Hemodiálise do Hospital Evangélico Goiano, Neuza de Almeida Barcelos Pereira, que o acompanha desde o início do processo. O seu amor à profissão foi um motivador durante os últimos 22 anos. “A minha vida inteira, o meu sonho era fazer enfermagem”, pontua a profissional. Ela revela um aspecto curioso de seu Hamilton: “Ele é um paciente muito inquieto”. E afirma que, “graças a Deus”, é uma profissional realizada.

IMG_0027

A história de seu Hamilton influenciou não só a profissão de Neuza, mas sua vida também: “A gente o tem como família, eu gosto como se ele fosse meu irmão. Eu não tenho irmão homem. Ele é o meu irmão homem. O que eu preciso, eu posso contar com ele, com o apoio dela (Dulcimar, esposa de Hamilton). As minhas dificuldades, por que eu passei na minha vida, eles me ajudaram, mas como a minha própria família me apoiando. Então, é meu irmão que eu nunca tive”.

A enfermeira Neuza de Almeida Barcelos, que há 22 anos acompanha seu Hamilton nas sessões de Hemodiálise, já é parte da família

Equipe

A enfermeira nefrologista Lohanne Cardoso Ribeiro é assistente do 2º turno da Clínica de Hemodiálise do HEG. É uma das pessoas que atua para que os pacientes do setor sejam bem cuidados e tratados de maneira humanizada. Ela mostra o que significa conviver com um paciente que tem uma história tão marcante: “(Eu vejo) que é uma vitória. Que o serviço da gente está valendo a pena”. “Para nós, é um prestígio muito grande, poder estar acompanhando estes pacientes e servindo; e os pacientes estarem bem”, continua.

Conforme informou, os que passam pela Hemodiálise no HEG “são pacientes que colaboram muito para o tratamento. São pacientes que aceitaram o tratamento”. Ela destaca o papel da equipe na atenção diária aos que passam pelo local. “Tem como dar um tratamento bom para os pacientes”, revela. Ela expressa o que aprende com suas experiências profissionais: “Como pessoa? Perseverança, trabalho em equipe de cada um. E também nós aprendemos que tudo é possível. Basta a gente tentar”.

Seu relato sobre o time da Hemodiálise não poderia ser diferente: “A equipe nossa, como é multidisciplinar, cada um contribui com uma parte. No caso (temos) nutrição, psicólogo, médicos, as enfermeiras. Nós estamos sempre cada um contribuindo com a sua parte e o paciente também fazendo a parte dele. A gente dá a assistência necessária, dialisa bem o paciente, preocupa com todos os fatores que a diálise em si causa e a doença renal também causa. Nós estamos sempre acompanhando os pacientes e monitorando todos, durante todos os dias, mensalmente. Tudo é acompanhado, tudo registrado”.

IMG_0049

Atuação médica

“O seu Hamilton é uma lenda viva”, descreve o médico nefrologista Sergio Mota, que acompanha o paciente de Hemodiálise Hamilton João Teles desde o início do tratamento. “Isto é incrível”, continua. “(Para) um paciente do sexo masculino que tem uma boa massa muscular, que não tem nenhum outro comemorativo, a doença é exclusivamente renal, o tempo de diálise dele é de 10 a 15 anos”, explica sobre a realidade de quem passa por hemodiálise. Geralmente, este tempo ocorre entre a descoberta da doença renal e um transplante de rins.

Seu Hamilton teve outros problemas de saúde ao longo destes anos. Um deles, uma fratura de vértebra, o levou a ter que se submeter a uma cirurgia de coluna. Mas ele superou todas as expectativas e seguiu adiante durante 22 anos de hemodiálise. Dr. Sergio Mota lembra que em pacientes com doenças sistêmicas, como diabetes e vasculopatia hipertensiva grave, a “sobrevida cai mais do que 50%”.

“O seu Hamilton é um caso fora da média. Eu acho que tem alguns fatores que podem justificar porque ele está suportando tanto tempo de hemodiálise. Primeiro, é que nesses vinte e dois anos em que ele está fazendo hemodiálise aqui, eu não recordo de ele ter tido nenhuma falta. Ele nunca faltou. Nunca faltou o programa. Segundo: ele tem um apoio familiar muito grande. A família, sempre, (em) tudo o que a gente precisa eles colaboram”, explica.

“Ele aceitou essa nova condição de vida dele. Ele percebeu que a única possibilidade de ele viver bem é fazendo hemodiálise. E ele aceitou. Ele aceitou, e isso, do ponto de vista emocional também, ajuda de forma significativa”, continua. O nefrologista Sergio Mota atesta que a resposta do organismo de Hamilton ao tratamento é boa, o que pode ser observado pelo seu nível de hormônios produtores de células de sangue. “É um nível, para o paciente renal crônico, normal”, detalha. A condição de sua medula óssea é considerada “ótima, excelente”.

IMG_0031

Desde a cirurgia na coluna, Hamilton possui um fixador preventivo no dorso, mas permanece “sem dor óssea”. Os seus níveis de cálcio e fósforo estão em níveis estáveis, conforme indica o médico nefrologista. Para Dr. Sergio, Hamilton “está bem dialisado” e “a máquina está fazendo uma boa diálise”. Outro indicativo de que o procedimento funciona é o decaimento de ureia após a hemodiálise, considerado normal. Hamilton ainda superou uma peritonite, ou inflamação do peritônio. Para Sergio Mota, vencer todos estes desafios, no caso de pacientes em hemodiálise, “é um sinal de longa vida”. Atualmente, uma equipe vascular, de endocrinologia, cardiologia, laboratorial, de radiologia e infectologia, além de enfermeiros, técnicos, assistentes e demais profissionais, cuidam de Seu Hamilton. Para Mota, Hamilton “superou tudo” e pode ser considerado um “campeão”.

A máquina e o procedimento

O médico nefrologista Sergio Mota explica que, no início do tratamento, o procedimento feito em Hamilton era uma “diálise peritoneal intermitente”. Ou seja, o cateter, sonda que faz o líquido circular durante a hemodiálise, era inserida na região da cavidade abdominal. Atualmente, o cateter é colocado no braço. O aparelho utilizado no início era uma “maquina de tanque”, menos eficiente, por não possuir, por exemplo, um controle efetivo da pressão arterial.

Atualmente, utiliza-se a “máquina de proporção”. “Hoje o banho toma um fluxo único”, explica Sergio Mota. E menciona que, “na prática, significa que a diálise feita em máquina de proporção, que é a que nós usamos hoje… a eficiência de diálise aumenta 20% em relação à máquina de tanque”. Há sete anos, Hamilton passa por Hemodiálise na máquina te proporção.

“A máquina de proporção é infinitamente mais segura”, acrescenta, citando que ela possui alarmes e indica a alteração de pressão e temperatura e os níveis de contaminação. Neste aparelho, é possível medir pressão e temperatura instantâneas. Ele explica a confiança que tem no equipamento: “Eu considero a máquina de diálise, hoje, um Boeing. Você decola, que é você ligar o equipamento, coloca no piloto automático. Então, se você estiver viajando em céu de brigadeiro, as quatro horas de diálise vão alho e óleo. E você só tem que, no final, aterrissar. É o que acontece, hoje, na prática, com os pacientes”.

Ele se sente realizado por participar da vida de Hamilton: “Ele é um paciente que estimula a gente a continuar. Ele é a prova viva de que o método funciona. Ele é a prova viva. Ele está aí para quem quiser ver. Um paciente que está há 22 anos em programa de hemodiálise”.

Hospital Evangélico Goiano

Atualmente, 130 pacientes são tratados por meio do serviço de Hemodiálise do Hospital Evangélico Goiano, sendo 65 na Clínica de Hemodiálise do HEG e o restante no Instituto Nefrológico de Anápolis. “O Hospital Evangélico é que dá o suporte para todos esses pacientes”, destaca o nefrologista Sergio Mota, citando a utilização, pelos pacientes, do pronto-socorro, UTI, laboratórios, raio-X e serviços médicos da instituição.

“A importância do Hospital Evangélico é total. Porque o Hospital nunca se furtou a dar todo o apoio logístico para as intercorrências desses pacientes. Sempre com vaga de internação destes pacientes”, declara. “Quando é necessário terapia intensiva (por meio do Sistema Único de Saúde), o paciente é tratado do mesmo jeito que é tratado em um convenio ou particular, com toda a assistência. Então, a importância do Hospital Evangélico é absolutamente total. É uma segurança, é um porto seguro para a unidade de hemodiálise”.

Ele ainda menciona que “não tem interferência nenhuma da administração em relação à assistência dos pacientes”. “Tudo que você pede, na medida do possível, é feito. Então, (para) o Hospital Evangélico, eu dou nota dez”, arremata.

Dieta

Hamilton precisa seguir uma alimentação criteriosa para o sucesso do seu tratamento. Sua dieta diária inclui uma quantidade normal de proteína, de um a 1,5 gramas ingeridos por quilo de peso por dia. Entre uma sessão de diálise e outra, o paciente ganha até dois quilos de peso que foram perdidos durante a sessão. A quantidade de água ingerida diariamente deve levar em conta este ganho de massa corporal. O excesso de verduras cruas e frutas deve ser evitado, para que não haja aumento dos níveis de potássio no organismo.

Dr. Sergio Mota explica que os “pacientes são extremamente obedientes” com relação à dieta. E cita que, de dois anos para cá, nutricionistas acompanham o tratamento, fator que “melhorou a assistência para esses pacientes”.

Serviço – Clínica de Hemodiálise do Hospital Evangélico Goiano

Endereço: Rua 1º de maio, 213, Centro – Anápolis (GO)

Telefone: (62) 3099-9000

Ascom/ Felipe Homsi