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Especial H1N1 – Maria Sônia, coordenadora da CCIH: ‘não temos motivo para pânico, mas para preocupação e prevenção’

O vírus H1N1 é motivo de preocupação sempre que se aproxima o inverno. A enfermeira Maria Sônia Pereira, que coordena a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar no Hospital Evangélico Goiano, fala sobre as medidas tomadas pela instituição para evitar que o vírus causador da gripe Influenza A se espalhe. Para ela, o “pânico” não é necessário, mas todo cuidado é pouco no ambiente hospitalar e externo para prevenir a doença.

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HEG – Como as notícias recentes sobre o H1N1/ Gripe Influenza impactaram o modo como o Hospital Evangélico Goiano lida com a doença?

Maria Sônia – Nós sempre estamos trabalhando durante este período para prevenir a doença e sabemos também que nesta época, entre os meses de fevereiro a meados de junho, há um agravo de problemas respiratórios, que estão associados, por exemplo, aos pacientes com bronquite e asma e idosos com pneumonia, doenças essas associadas a mudanças no clima. É comum os pacientes apresentarem agravos neste período. Nós esperamos, assim como ocorreu em 2015, a presença de pacientes com sinais e sintomas característicos e suspeita de serem portadores do vírus H1N1.

HEG – Quais são as medidas tomadas pelo HEG para evitar a proliferação do vírus H1N1?

Maria Sônia – Nós trabalhamos sempre orientando as equipes, que são a porta de entrada na triagem e no acolhimento, a fazerem uso da precaução padrão, que é o uso de máscara na presença de prováveis sintomas – tosse, histórico de febre alta, nariz escorrendo, dor no corpo, fadiga, prostração e piora do quadro respiratório subitamente, entre outros. Fora isso, intensificamos as ações de higienização das mãos, disponibilizamos dispensers com álcool em gel ou na forma espuma e limpamos as bancadas, superfícies, corrimões, maçanetas de portas e demais locais onde um grande número de pessoas tenha contato frequente – já que o vírus se transmite por gotículas.

HEG – Qual é a importância de conscientizar a população para evitar a proliferação do vírus H1N1 e o aumento na incidência da Gripe Influenza?

Maria Sônia – A partícula que carrega o vírus é densa e não fica suspensa, mas permanece impregnada em maçanetas, bancadas, suportes e bancos de ônibus, onde as pessoas manuseiam mais. Então é importante a orientação da população para a higienização das mãos.

HEG – E como é feita a capacitação dos profissionais do Hospital Evangélico Goiano?

Maria Sônia – Fazemos a orientação junto aos médicos do pronto-socorro, divulgando o protocolo disponibilizado pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Estadual de Saúde. Participamos dos treinamentos e capacitações que ocorrem com mais frequência nesse período. Não há grandes mudanças no protocolo quantos aos sinais e sintomas e a forma de tratamento. E nós fazemos aqui a coleta de amostra biológica e enviamos para um laboratório de referência em Goiânia, que vai classificar o tipo de vírus.

HEG – Uma gripe comum é motivo de preocupação?

Maria Sônia – Ter sintomas gripais, ter suspeita, várias pessoas têm. O médico assistente vai fazer o protocolo. Será feito nesse paciente a coleta de amostra biológica, entraremos em contato com a Vigilância Sanitária e será feita a notificação compulsória. O paciente começa a receber o tratamento, seja ele criança, adulto ou idoso, porque nós não esperamos a confirmação da doença. O medicamento é o Tamiflu, o mais usual, que possui diferentes doses, dependendo do perfil do paciente. Este tratamento, que dura cinco dias, é ajustado pelo infectologista. Enquanto isso o paciente fica em isolamento ou precaução respiratória para gotículas.

HEG – Que tipo de isolamento é feito?

Maria Sônia – Não existe necessidade de se fechar a porta do quarto do paciente, pois são muito poucas as partículas suspensas no ar. Os profissionais de saúde e todos os profissionais do hospital fazem uso de máscara cirúrgica, a máscara comum. Não há necessidade de uso de máscara N95 ou máscara bico de pato, a não ser no caso de agravo da doença, que é quando já está instalada a Síndrome Respiratória Aguda ou no momento em que o médico for fazer uma intubação ou aspiração, quando há risco de maior presença de gotículas ou saliva.

HEG – Quais são as principais formas de prevenção da gripe Influenza?

Maria Sônia – O principal, o mais eficiente e que nós devemos intensificar é a higienização das mãos, com água e sabão ou álcool em gel e limpando as superfícies.

HEG – O que ocorre após o fim do tratamento?

Maria Sônia – Quando o paciente termina o tratamento, ele vai para casa e se em três ou quatro dias ele apresentar melhora e não tiver mais critérios de internação, ele pode continuar e terminar o tratamento em casa, com o uso do Tamiflu.

HEG – Sônia, por que não há motivo para pânico ainda em Anápolis?

Maria Sônia – Eu entendo que nós não temos motivo para pânico, porque nós não estamos em um surto em Anápolis, mas nós temos motivos para preocupação e prevenção. Temos que notificar todos os casos que chegam, temos que tentar evitar locais com grande aglomeração de pessoas, tentar evitar locais muito fechados, sem corrente de ar, sem ventilação e utilizar a máscara com a devida adequação. Não precisa sair todo mundo colocando máscara, porque com duas horas a máscara está saturada. Então, se você tem o vírus, mas ainda não apresentou os sintomas – a manifestação pode levar de quatro a sete dias – você vai estar albergando um local úmido e com maior concentração de vírus para você desenvolver a doença. Portanto, nem sempre a máscara é necessária. Então, sempre: higienização das mãos, boa hidratação, boa alimentação. E os pacientes que forem mais suscetíveis, que já têm asma, que têm doenças crônicas devem ter mais cuidado ainda e evitar lugares públicos com grandes aglomerações de pessoas, mesmo sem sintomas.

HEG – O Hospital Evangélico Goiano está se adiantando para o caso de ocorrer uma ampliação do número de casos?

Maria Sônia – Sim. O preparo é exatamente uma equipe treinada, o reconhecimento precoce dos sintomas, início em tempo adequado do Tamiflu, coleta da amostra biológica para envio ao laboratório para fazer a identificação mais rápida do tipo de vírus e o controle da vigilância epidemiológica e do hospital. O objetivo é saber se o vírus é proveniente da nossa região ou de outros estados e cidades. As medidas de contenção e isolamento evitam que o vírus se propague para outros pacientes.

HEG – Por via das dúvidas, o melhor é procurar o pronto-socorro?

Maria Sônia – Sim. Apresentou sinais, prostração, febre alta, dor no corpo – não só nas articulação e nas juntas – o PS deve ser procurado. Em alguns casos, coriza, nariz escorrendo, água branca, além de um desconforto respiratório muito grande em um período de tempo muito curto.